Os casos de exploração sexual online de crianças e adolescentes — através da coerção para produzirem imagens e vídeos — aumentaram 125% em 2025, segundo os dados mais recentes do National Center for Missing and Exploited Children (NCMEC), que alerta para a crescente atividade de redes que atuam globalmente em plataformas de jogos, redes sociais e aplicações de mensagens.
De acordo com o The Guardian, a organização recebeu mais de três mil denúncias de casos de “exploração online sádica” em todo o mundo durante o último ano, mais do dobro das registadas em 2024. Ainda assim, o NCMEC considera que os números representam apenas uma parte da dimensão real do fenómeno, uma vez que apenas toma conhecimento dos casos em que é detetado e denunciado material de abuso sexual de menores.
Os agressores procuram sobretudo crianças e adolescentes vulneráveis, estabelecendo contacto através de videojogos como Roblox e Minecraft ou de redes sociais, segundo os especialistas em proteção infantil e responsáveis pela investigação deste tipo de crimes. Depois de conquistarem a confiança das vítimas, convencem-nas a enviar imagens íntimas e utilizam esse material para as chantagear.
“Vemos, frequentemente, que os ofensores estabelecem contacto com a criança e, através dessa comunicação inicial, pedem imagens nuas ou sexualmente explícitas. Depois utilizam esse material como forma de pressão para obrigar a criança a magoar-se, a magoar outras crianças ou pessoas da família, ou a produzir mais imagens explícitas de si própria ou de outras crianças da casa”, afirmou Kathryn Rifenbark, diretora do NCMEC.
Além da produção de imagens de abuso sexual infantil, os agressores forçam as vítimas a praticar atos de automutilação, ingerir vómito ou urina, ferir outros menores ou animais domésticos e, em situações extremas, a tentar o suicídio.
Amanda Goharian, diretora de investigação, afirmou que uma das formas mais frequentes de controlo consiste em obrigar as vítimas a gravar no próprio corpo o nome de utilizador dos agressores nas redes sociais. “Um dos aspetos fundamentais destes grupos é que o nível de gravidade dos danos causados é extremo e pode evoluir rapidamente para consequências como suicídios consumados”, alertou.
Segundo os especialistas, muitos dos autores destes crimes pertencem a comunidades organizadas na internet e são frequentemente adolescentes ou jovens adultos. Os grupos procuram menores que já tenham partilhado informações sobre problemas de saúde mental, perturbações alimentares, automutilação ou pensamentos suicidas, considerando-os mais suscetíveis à manipulação. Depois do primeiro contacto em jogos ou redes sociais, os agressores tentam normalmente transferir a conversa para aplicações de mensagens como o Telegram.
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