A Disney vai triplicar o número de filmes e séries locais nos próximos três anos e está também à procura de criadores de conteúdos nos mercados internacionais, disse esta sexta-feira o presidente de originais internacionais e programação Eric Schrier, durante a convenção D23 na Califórnia.
“O que queremos é contar histórias para as audiências locais e sermos hiperlocais”, afirmou o responsável, num painel para a imprensa internacional no arranque da D23. “E vamos aumentar isto de forma significativa”.
Schrier revelou que a marca produz originais em 17 mercados e este ano a produção será de 60 a 70 filmes e séries, algo que vai aumentar muito.
“Vamos triplicar a programação durante os próximos três anos”, afirmou. “Ter mais conteúdos locais de forma consistente vai não apenas envolver os utilizadores locais, mas também fazê-los regressar mais vezes para consumir outros conteúdos”.
O reforço do investimento vem no encalço de vários sucessos internacionais, incluindo a série falada em português “Amor da Minha Vida” (Brasil). Protagonizada por Bruna Marquezine, a segunda temporada irá estrear-se em outubro após uma estreia que alcançou popularidade em vários mercados em 2024.
“Contar histórias é algo realmente global e está a conectar audiências globais”, referiu Eric Schrier. “Nunca pensei que conteúdos coreanos funcionassem tão bem no Brasil”, exemplificou.
Vários conteúdos em língua não inglesa estão a alcançar outros mercados e isso levou a Disney a reforçar a estratégia.
A empresa tem quatro regiões de produção internacional de conteúdos, que se dividem na EMEA (Europa, Médio Oriente e África), onde Portugal está integrado, América Latina, Ásia-Pacífico e Canadá & Austrália.
Estas regiões dependem de especialistas locais, já que a equipa de Eric Schrier em Burbank, Califórnia, não tem conhecimento específico sobre mercados como Polónia, Espanha ou Portugal. “O que fazemos é apoiar contadores de histórias locais”, frisou.
Além destes filmes e séries, a Disney também está à procura de criatividade fora da indústria tradicional.
“A criação de conteúdos é uma área que também vamos fazer crescer internacionalmente”, explicou Schrier. “Estamos à procura de criadores nestes mercados não apenas para conteúdos de curta duração, mas também de formatos mais longos”, acrescentou.
Entre os novos conteúdos locais que serão lançados em breve inclui-se o documentário sobre o regresso da banda britânica Oasis, “Don’t Look Back in Anger”, que tem a estreia marcada para 11 de setembro nos cinemas e mais tarde irá para o Disney+.
Também na Europa, vai chegar a comédia francesa “Surveillant!”, que Schrier descreveu como uma espécie de “The Office” mas centrada nos funcionários de uma prisão. Vai estrear-se no Disney+ a 16 de setembro.
Outra novidade é a série sul-coreana “The Remarried Empress”, que pretende continuar o sucesso da programação vinda do país, em todo o mundo: Schrier disse que a série internacional de maior sucesso este ano foi a sul-coreana “Perfect Crown”, lançada em abril.
O executivo mencionou ainda “Rivais”, a série inglesa cuja ação se passa nos anos oitenta e que já tem luz verde para a terceira temporada.
A D23 Expo é o evento que reúne os maiores fãs da Disney de todo o mundo e acontece de dois em dois anos. A edição 2026 decorre em Anaheim, sul da Califórnia, até domingo, 16 de agosto.
