Uma delegação da comissão parlamentar de Economia e Coesão Territorial está a terminar uma viagem de dez dias aos Estados Unidos, que passou por três cidades — Washington, São Francisco e Nova Iorque.
A deslocação oficial ao país é justificada como uma missão de diplomacia económica que envolve reuniões de trabalho com responsáveis institucionais, empresas nos setores tecnológico, financeiro e científico com foco na Inteligência Artificial e na atividade de startups. A intensa agenda de eventos e contactos foi coordenada com o apoio da Aicep, a agência pública que tem como missão promover a diplomacia económica.
A delegação é composta por dois deputados dos três maiores partidos — Pedro Coimbra (o presidente) e Nuno Fazenda do PS, Francisco Figueira e Dulcineia Moura do PSD, Filipe Melo e Pedro Tavares do Chega e ainda Paulo Núncio. O deputado do CDS-PP esteve apenas na etapa de Washington, tendo regressado já a Lisboa para trabalhos e votações parlamentares.
As viagens ao estrangeiro de deputados são uma prática comum do Parlamento e, como explicou ao Observador o presidente da comissão de economia, Pedro Coimbra, acontecem praticamente todas as semanas.
Esta deslocação em concreto estava prevista no plano de atividades da comissão, e pelo menos uma parte surge na sequência de um convite feito por congressistas americanos que estiveram em Portugal.
Mas a ambição do programa, a dimensão da comitiva e a extensão da agenda e da deslocação têm poucos paralelos na atual legislatura e também na anterior, pela consulta feita aos registos pelo Observador.
Fonte oficial do gabinete do PAR (Presidente da Assembleia da República) assinala que esta deslocação estava prevista no plano de atividades da comissão de Economia e Coesão Territorial para a primeira sessão legislativa e que a sua realização é da competência da comissão, que tem um orçamento próprio para as despesas.
Nas respostas dadas ao Observador, fonte oficial do gabinete de Aguiar Branco indica que antes de autorizar a deslocação “pediu informação adicional sobre os custos e sobre as ações de diplomacia económica confirmadas”. A estimativa de custo para a viagem é de 53.812 euros e não há indicação de despesas pagas por entidades privadas.
Em explicações remetidas ao Observador já depois de iniciada a deslocação oficial — que começou em 30 de setembro e termina a 10 de outubro — Pedro Coimbra adianta que a mesma “decorre de convites expressos e formais de representantes do Congresso dos Estados Unidos, na sequência de contactos institucionais anteriores, incluindo a presença de congressistas americanos na Assembleia da República”.
