FBI avisou PSP de ameaça de bomba em voos da TAP

Nov 6, 2026

Em apenas uma semana, dezenas de aviões foram alvos de ameaças de bombas e vários supermercados por toda a Europa foram atingidos por ciberataques nos seus sistemas de refrigeração — uma ação que também visou alguns bancos de sangue, que funcionam com o mesmo sistema. Os ataques ainda não lançaram o caos, mas colocaram as forças de segurança e os serviços de informações em “nível elevado de preocupação” com uma eventual escalada destas ações para outro tipo de infraestruturas. Uma fonte que tem acompanhado as intensas trocas de dados entre serviços de informações no contexto NATO nos últimos meses refere ao Observador dois exemplos concretos: unidades de saúde (hospitais) e unidades de produção energética (como barragens).

As ameaças de bomba têm sido a face mais visível destas ações. Em Portugal, só esta sexta-feira, um voo Ryanair com destino a Roma foi impedido de descolar na hora prevista por suspeitas de que teria (ou poderia vir a ter) uma bomba a bordo. O caso foi reportado publicamente pela PSP. Mas, apurou o Observador, não foi caso único — também esta sexta-feira, outros dois voos TAP, um com destino a Paris e outro que viajava para Copenhaga, foram alvo de ameaças de bomba. A informação tornada pública, em comunicado, fazia referência a uma “comunicação através dos mecanismos de cooperação policial internacional”. Mas o Observador sabe que, em todos estes casos, as informações foram transmitidas à Polícia de Segurança Pública diretamente pelo FBI, a agência norte-americana de investigação criminal.

Mas as ações disruptivas não ficam por aqui: também no início da semana, sete lojas Intermarché anunciaram ter sido afetadas pelo mesmo tipo de ataques que já tinham sido identificados noutros pontos do continente europeu. Esta nova vaga de “ataques híbridos” tem revelado um “impacto violento”, em qualquer um destes setores afetados, como classifica o especialista em cibersegurança Bruno Castro. Mas será que os dois tipos de ações estão relacionados?

Dois grupos pró-Kremlin foram rápidos a reivindicar os ciberataques à tecnologia associada aos sistemas de refrigeração. “Quando um coletivo destes assume responsabilidades, é certinho. São grupos criminosos a sério, nos tops do cibercrime a nível mundial”, explica o fundador da Visionware, Bruno Castro. Já fontes com conhecimento destes processos mostraram uma “grande preocupação” com o facto de os ataques terem outra origem: o Irão.

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