Governo atribui parte da energia do Pego à ZLT de Abrantes

Set 14, 2026

O Governo vai atribuir à Zona Livre Tecnológica (ZLT) de Abrantes parte da capacidade elétrica disponível no Pego e delegar a sua gestão operacional no Tagusvalley, anunciou esta segunda-feira a ministra do Ambiente e Energia.

“Ficou hoje aqui também decidido que haverá uma parte que será atribuída à Zona Livre Tecnológica”, disse esta segunda-feira à Lusa Maria da Graça Carvalho, referindo-se à capacidade de ligação à rede elétrica associada ao Pego.

A governante falava aos jornalistas no Tagusvalley — Parque de Ciência e Tecnologia, em Abrantes, distrito de Santarém, no final de uma visita a convite do município, que incluiu uma reunião sobre projetos estruturantes para Abrantes e o Médio Tejo.

Além da atribuição de capacidade elétrica, foi acordada a passagem para o plano local da gestão operacional da ZLT, atualmente atribuída por lei à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).

“Vamos fazer um protocolo para a passar, aqui, localmente, para este centro, para o Tagusvalley”, afirmou Maria da Graça Carvalho.

A ministra destacou que Abrantes reúne quatro recursos “escassos a nível mundial”: acesso à rede elétrica, água, conhecimento técnico e de engenharia e território industrial, que permitem ao concelho ser “criterioso” na seleção de investimentos que criem riqueza e emprego.

Alertou ainda para a necessidade de aproveitar rapidamente o conhecimento industrial acumulado na região, antes que os técnicos se reformem ou procurem emprego noutros locais, classificando-o como «concreto, palpável, de engenharia e de fazer».

O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, confirmou que o Ministério vai liderar um protocolo para a DGEG delegar no Tagusvalley a gestão e operacionalização da ZLT, considerando a decisão «uma excelente notícia».

A ZLT foi delimitada em 2025 e regulamentada em março deste ano, abrangendo áreas ligadas ao Pego, Tagusvalley e zona industrial de Tramagal, no âmbito da transição após o encerramento, em 2021, da central termoelétrica a carvão.

Na reunião foi também analisada a recuperação das linhas de água afetadas pelos temporais, tendo a ministra indicado que, além dos cerca de 200 mil euros já disponibilizados, permanecem por resolver intervenções avaliadas em 1,8 milhões de euros.

Maria da Graça Carvalho disse que vai procurar com a Agência Portuguesa do Ambiente formas de “rapidamente ajudar” a repor as linhas de água, tendo Valamatos afirmado que ficou acordado um contacto célere com o município para procurar financiamento.

Sobre o aproveitamento mini-hídrico associado ao açude insuflável de Abrantes, a ministra disse querer resolver um processo antigo para permitir o lançamento de um concurso para explorar aquele potencial energético.

Quanto aos dois centros de dados previstos para Abrantes, disse que ambos já têm autorização de ligação à rede, mas pediram aumento de capacidade, estando a decisão prevista “para breve”, possivelmente ainda este ano.

A ministra afirmou que serão avaliados energia, água e impacto ambiental e que será tida em conta a «situação especial de Abrantes» decorrente da transição energética.

Maria da Graça Carvalho reconheceu que Abrantes sofreu “um golpe grande” com o encerramento da central a carvão e defendeu que o território deve ser compensado pelo impacto da descarbonização.

A transição representa “um bem para o país e para a humanidade” e trouxe uma atmosfera mais limpa, afirmou, defendendo que a luta contra as alterações climáticas não pode significar «um preço» suportado apenas por Abrantes.

“Podem contar connosco para vos ajudar nessa questão”, assegurou.

Valamatos fez um balanço «muito positivo» da reunião, afirmando que os temas apresentados pelo município tiveram acolhimento por parte da ministra e que ficaram definidos caminhos para procurar soluções e captar investimento para o concelho.

Veja aqui na íntegra o artigo original

As notícias mais relevantes no mundo da tecnologia.