Um total de 402 centros tecnológicos especializados (CTE) foram criados em escolas pelo país, num investimento de 500 milhões de euros, para reforçar o ensino profissional, revelou esta sexta-feira o ministro da Educação, Fernando Alexandre.
Na sua intervenção na inauguração de dois CTE em Beja, ambos na Escola Secundária D. Manuel I, o governante explicou que o Governo foi além do que estava previsto no que toca a este investimento, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
“Este investimentoresultou não em 365 centros tecnológicos especializados, mas em 402. Não só atingimos a meta como fomos mais além e temos mais 40 do que aqueles que estava previsto“, destacou Fernando Alexandre.
De acordo com o ministro, este projeto “vai reformar verdadeiramente a forma de ensinar e de aprender na área do ensino profissional”, aproximando a comunidade educativa das necessidades dos territórios.
“Temos estudos que mostram que quem segue a via profissional, no final do secundário, entra no mercado de trabalho e tem maior empregabilidade e atualizações do que aqueles que seguem o científico ou o humanístico [e] essa é uma validação que o mercado está a fazer das competências que são adquiridas”, argumentou.
Os CTE visam potenciar a inovação e a excelência no ensino secundário, oferecendo aos alunos formação prática e tecnológica de ponta, alinhada com as necessidades do mercado de trabalho e as tendências emergentes nos setores científico e industrial.
Estes centros promovem a articulação entre escola, empresas e comunidade, estimulando competências técnicas, criatividade e espírito empreendedor nos jovens.
Em declarações aos jornalistas, e tendo como barulho de fundo uma manifestação de cerca de duas dezenas de profissionais do setor junto à entrada principal da escola, Fernando Alexandre afirmou que “o ensino profissional em Portugal tem vindo a ser cada vez mais valorizado e com este investimento que foi feito ao longo dos últimos anos vai ser cada vez mais uma via alternativa para os estudantes”, preparando-os “para facilmente ingressarem no mercado de trabalho”.
Em Beja, os dois CTE inaugurados, nas áreas de Informática e Indústria, representaram um investimento de 2,6 milhões de euros.
O presidente da Câmara de Beja, Nuno Palma Ferro, defendeu que este tipo de investimento é “uma oportunidade para fortalecer uma verdadeira rede de competências no concelho”, uma vez que, além de formar jovens, permite que estes “encontrem em Beja condições para trabalhar, viver e construir a sua vida”.
“Há a necessidade de aproximar a formação daquilo que este território pode realmente oferecer, porque educação e desenvolvimento económico e social não são caminhos separados”, assegurou.
Desta forma, o autarca pediu que esta oferta não fique “fechada dentro de uma escola” e que “as empresas, a universidade politécnica e até a própria câmara municipal absorvam-a e ajudem a potenciá-la”.
“Hoje não inauguramos umas instalações novas ou um equipamento novo, hoje os mais de dois milhões e meio de euros que não se veem são mais oportunidades em áreas que precisam de pessoas comprometidas, [como] a indústria, a mecatrónica, a manutenção e a informática”, referiu.
O ministro da Educação, Ciência e Inovação visitou, igualmente, a Escola Secundária Diogo Gouveia, em Beja, para assinalar o arranque do ano letivo.
