Netflix processada por roubo de filme com Nicolas Cage

Jul 31, 2026

Os produtores de Fortitude, um thriller de espionagem da Segunda Guerra Mundial protagonizado por Nicolas Cage, avançaram com uma ação judicial contra a Netflix, exigindo uma indemnização de 105 milhões de dólares (mais de 90 milhões de euros) por danos. Em causa está o alegado roubo de um disco rígido que continha uma cópia do filme, nunca lançado, durante um assalto ao escritório da plataforma de streaming em Los Angeles, relatou o The Guardian.

A pedido da Netflix, os produtores afirmam ter entregue em junho uma cópia master não encriptada de Fortitude para exibição interna na plataforma, tendo solicitado que os ficheiros fossem eliminados após a visualização. No entanto, nove dias depois, foram informados por email de que vários discos rígidos tinham sido roubados das instalações da empresa em Los Angeles, incluindo aquele que continha uma cópia do filme.

O desaparecimento do material, segundo os produtores do filme, comprometeu seriamente as perspetivas comerciais da obra — que custou cerca de 45 milhões de dólares (aproximadamente 39 milhões de euros) e demorou cerca de sete anos a ser concluída — colocando em risco uma eventual venda a uma distribuidora, bem como qualquer estratégia de lançamento internacional e campanha para prémios. “Os danos resultantes para os queixosos são profundos”, lê-se no processo judicial, segundo a Page Six.

Os produtores defendem ainda que a Netflix, “através da sua má gestão do filme e subsequente negligência”, falhou na proteção adequada do conteúdo, cujo valor terá sido significativamente afetado pelo risco de divulgação ilegal e pirataria.

De acordo com a NBC News, os produtores do filme consideram “inconcebível que um comprador experiente investisse dezenas de milhões de dólares para adquirir o filme — e dezenas de milhões a mais para o comercializar — correndo o risco constante de que pudesse aparecer online e ser visto gratuitamente a qualquer momento”.

“Passei sete anos da minha vida a levar esta incrível história real para o ecrã”, afirmou Simon Afram, guionista e produtor do filme, em comunicado, citado pela emissora. “Mas este filme nunca foi só meu. Pertence ao elenco extraordinário e às suas interpretações memoráveis, que merecem ser vistas e reconhecidas. Representa o momento que estes artistas conquistaram.”

“Levamos a segurança do conteúdo a sério e tomámos medidas adicionais para apoiar o cineasta e a sua equipa”

Em comunicado, partilhado pelo Hollywood Reporter, a empresa de streaming contestou “qualquer alegação de que assume o risco de prejuízo de um filme entregue sem as devidas salvaguardas padrão da indústria” e que se recusou a partilhar informações da investigação com os advogados dos produtores “devido às suas tentativas hostis de extorquir dinheiro à Netflix nesta situação… em vez de colaborar connosco de boa-fé”.

“Embora não detenhamos os direitos de Fortitude, levamos a segurança do conteúdo a sério e tomámos medidas adicionais para apoiar o cineasta e a sua equipa, incluindo a investigação do roubo e a monitorização de sites de pirataria para evitar a distribuição não autorizada do filme”, afirmou a Netflix.

Fortitude é um filme de espionagem passado em Londres, focado nos agentes dos serviços de informação britânicos que mudam o rumo da Segunda Guerra Mundial e, por enquanto, não tem estreia prevista. Nicolas Cage contracena ao lado de Matthew Goode, Ben Kingsley e Michael Sheen.

[Os serviços secretos portugueses enfrentam uma crise de segurança sem precedentes: existe uma toupeira infiltrada no SIS. A suspeita é de que esteja a vender segredos da NATO à Rússia de Putin. E a confirmação final vai ser feita pelas secretas norte-americanas: a CIA traz o nome de um dos espiões mais antigos do serviço. Já estreou “A Vida Dupla do Espião Traidor”, o novo Podcast Plus do Observador. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]

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