Unitel estreia-se em bolsa em pleno ciberataque

Jul 29, 2026

A Unitel afirmou esta quarta-feira que o ataque informático de que foi alvo foi comunicado às autoridades competentes e que está a trabalhar com parceiros internacionais para apurar a sua origem, considerando a cibercriminalidade um dos principais desafios das empresas. 

A garantia foi dada pelo presidente do conselho de administração da operadora, Aguinaldo Jaime, na cerimónia de admissão à negociação na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), que marcou a estreia da empresa no mercado de capitais.

O responsável abordou o incidente de cibersegurança que afetou parte da infraestrutura tecnológica e que permanece por resolver passadas quase 36 horas, adiantando que foram mobilizadas equipas internas e parceiros internacionais que trabalham de forma contínua para conter o incidente e investigar a sua origem.

Salientou que a cibercriminalidade é um dos maiores desafios das organizações, defendendo que as empresas líderes distinguem-se não por nunca serem alvo de ataques, mas pela forma como respondem, sublinhando que a Unitel tem vindo a investir em tecnologias de segurança.

A operadora, prosseguiu, está a colaborar com as autoridades competentes para apoiar a responsabilização dos autores do ataque.

Aguinaldo Jaime reafirmou o compromisso com o combate ao cibercrime e a proteção de parceiros e acionistas, a quem transmitiu uma mensagem de confiança, garantindo que a Unitel está preparada para responder aos desafios do digital.

O gestor sublinhou que o cibercrime está presente em todas as latitudes e atividades económicas, admitindo tratar-se do incidente mais grave já sofrido pela operadora. “Obviamente não é a primeira situação de cibercrime de que a Unitel é vítima, mas esta é a mais grave, a mais sofisticada e a que mais impacto teve”, declarou.

Ainda assim, ressalvou que a empresa já enfrentou dezenas de ataques anteriores sem consequências de maior. “A Unitel já sofreu dezenas de ataques, mas fomos sempre capazes de monitorizar o seu impacto e os seus efeitos, e é isso que estamos a fazer”, acrescentou.

Questionado sobre se a empresa chegou a ponderar adiar a entrada em bolsa, Aguinaldo Jaime respondeu que a hipótese foi considerada, mas afastada face ao andamento da recuperação. “Tudo ponderado, e sobretudo depois de vermos como os trabalhos de recuperação da nossa infraestrutura estão a decorrer, achámos que o melhor seria manter a atividade do ‘ring the bell’ para hoje”, disse.

O responsável garantiu que não foram afetados dados sensíveis dos clientes e mostrou-se confiante na recuperação. “Os efeitos estão contidos, estamos a trabalhar na recuperação da nossa capacidade e acredito que ainda hoje uma parte dos serviços vai começar a funcionar”, afirmou.

O responsável descreveu a entrada na bolsa como uma nova etapa na vida da empresa, caracterizada por maior responsabilidade institucional, maior exigência de transparência, um compromisso mais firme com a criação sustentável de valor e maior proximidade com os investidores.

A operação representa uma demonstração de confiança na capacidade das empresas nacionais de se afirmarem como instituições sólidas, assinalou o gestor, para quem a entrada no mercado de capitais não altera apenas a estrutura acionista, mas também a forma como a Unitel se relaciona com os acionistas e outras partes interessadas.

Sobre o impacto financeiro do ataque para a empresa e para os clientes, escusou-se a quantificá-lo, dizendo que está ainda a ser avaliado.

A cerimónia na bolsa decorreu numa altura em que os mais de 21 milhões de clientes da operadora continuavam sem acesso à rede e aos serviços da Unitel.

O ataque, ocorrido cerca das 2h00 de terça-feira (mesma hora em Lisboa), está a deixar sem rede móvel nem Internet os 20,8 milhões de clientes da operadora, líder do mercado angolano.

Além da impossibilidade de fazer chamadas ou aceder à Internet, a falha está a afetar diversas empresas e o funcionamento de várias atividades quotidianas, num país onde, seguindo a tendência mundial, os angolanos usam cada vez menos dinheiro físico.

Registaram-se dificuldades no pagamento de táxis por aplicação, bem como em restaurantes e outras lojas, já que muitos terminais de pagamento automático (TPA) ficaram inoperacionais por falhas nas ligações à rede, que também afetam algumas caixas automáticas, impedindo o levantamento de dinheiro.

Entretanto os serviços de Proteção Civil e Bombeiros, bem como várias empresas, disponibilizaram contactos de emergência alternativos através da principal concorrente da Unitel, a operadora Africell, que tem registado enormes enchentes junto às suas lojas, conforme constatou a Lusa.

A Lusa constatou que alguns clientes já conseguem fazer chamadas ou usar os dados móveis.

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