Há desenhos animados da nossa infância que são um gelado perna de pau e outros que são gemada com açúcar amarelo. Os primeiros resistiram à passagem do tempo, nunca saíram de moda, avançaram na corrida de estafetas intergeracional. E os segundos foram algo circunstancial de um tempo e espaço específico, que não transbordaram para as infâncias que se seguiram. Neste caso: já ninguém come ovo cru com açúcar como nos anos 80 e já ninguém vê episódios do He-Man.
A série animada original He‑Man and the Masters of the Universe estreou-se mundialmente em setembro de 1983 e foi transmitida até 21 de novembro de 1985, resultando em duas temporadas, num total de 130 episódios. Já em Portugal, com o título He-Man e os Donos do Universo, passou na RTP entre 1986 e 1987, sendo transmitida na versão original em inglês com legendas em português. E se agora se fala tanto em desenhos animados criados para venderem merchandising, Masters Of The Universe nasceu em sentido contrário: o nome e conceito vieram da linha de brinquedos da Mattel lançada em 1982, antecedendo os episódios animados.
Ora sendo eu nascida em 1981, He-Man desempenha um papel importante no meu imaginário infantil, especialmente numa altura pré-streaming em que um cachopo via o que estava a dar e pronto, nem interessava se gostava muito. Vi inúmeros episódios (será que até vi mesmo todos?) e sonhei com receber um Castelo de Greyskull no Natal, fantasia nunca concretizada por não ser considerado, tristemente, um brinquedo para meninas. Não me lembro de um único plot de um episódio, apenas de adorar o Skeletor (comprei um já em idade adulta) e o tigre verde que tanto era tímido como virava bad ass.
