Os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Leiria (SMAS) vão comprar geradores para as suas instalações e investir numa rede interna de comunicações, investimento que decorre do impacto da depressão Kristin.
“Estamos a fazer agora uma análise de todo o sistema, no sentido de dotar essa infraestrutura de geradores. Vamos adquirir cerca de 16 geradores, numa primeira fase, para garantir o fornecimento da maior parte do concelho”, disse Ricardo Gomes, referindo tratar-se de um investimento na ordem do meio milhão de euros para os geradores e adaptação das infraestruturas para os receber.
Já numa segunda fase, as restantes infraestruturas dos SMAS também serão dotadas de geradores.
“Estamos a fazer um estudo de adaptação das instalações para depois poderem ser instalados geradores que serão amovíveis, ou seja, podemos também deslocalizar esses geradores de uns pontos para os outros em função das falhas de energia que possam ocorrer na zona abrangida pelas nossas infraestruturas”, explicou.
O administrador-delegado adiantou que o procedimento concursal está a ser preparado.
“A nossa intenção é que este concurso possa ser lançado o mais rapidamente possível, ainda este ano ou no início do próximo ano”, declarou, referindo que o investimento vai permitir ao sistema ter autonomia e funcionar “sem fornecimento de energia elétrica”.
Por outro lado, os SMAS estão também “a fazer um estudo a nível de redundância em termos de telecomunicações”.
“Se houver uma quebra na rede de fornecimento de energia elétrica, nós temos os geradores. Se essa quebra de fornecimento de energia elétrica afetar também as telecomunicações, nós passamos também a ter um sistema autónomo de comunicações internas” via rádio, adiantou Ricardo Gomes.
Neste caso, o investimento “pode rondar os 250 mil euros”.
A depressão Kristin, a 28 de janeiro, fez com que milhares de pessoas ficassem privadas de água no concelho de Leiria devido à falta de energia, que também afetou a telegestão dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Leiria.
No dia 9 de fevereiro seguinte, os SMAS anunciaram que, desde o início da tempestade, tinham sido registadas 244 ocorrências relacionadas com o sistema de abastecimento de água, sendo que 141 correspondiam a roturas na rede.
Naquela data, dos 50 geradores instalados em infraestruturas dos SMAS para garantir o abastecimento de água, 35 ainda estavam em funcionamento.
Seis semanas depois da depressão Kristin, a 12 de março, o abastecimento de água a quase 900 clientes em Leiria ainda estava a ser assegurado por gerador, situação que ficou ultrapassada nos dias seguintes.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.
