Em “Luisinha” não há nada de errado. Mas também não há nada

Out 24, 2026

Facto: vivemos num mundo polarizado, rodeados de uma gritaria ensurdecedora, onde todos têm uma megafone para expressar a sua opinião, numa busca constante de validação, onde se diaboliza sem critério o outro lado da trincheira. Há uma grande probabilidade de terem revirado os olhos até ao limite do deslocamento da córnea enquanto leram isto, e é bom que assim seja. São clichés contemporâneos, repetidos ad nauseum de tal forma que quase se transformaram numa lengalenga infantil sem significado. O que não quer dizer que não tenham muito de verdade, à parte de serem uma rotunda generalização. É justo que este parágrafo seja considerado uma reflexão banal que não acrescenta nada de substancial, não tem vislumbre de originalidade, mas diria que também não aleija.

Então, a que propósito gastei eu estes 651 caracteres, sem contar com os espaços? Foi algo que me veio à ideia depois de ver Luisinha — Chapter by Chapter, o novo documentário da Prime Video, “documentário que acompanha a modelo e influenciadora portuguesa Luisinha Oliveira, numa viagem pelas diferentes etapas do seu percurso pessoal e profissional.” E agora vou passar os caracteres que se seguem a tentar não parecer uma velha cínica a escarnecer do entusiasmo e da esperança ingénua de uma jovem com todos os sonhos do mundo, como eu já tive. Só que, na altura, eu não estava a par do conceito de vision board. E isso, parecendo que não, faz diferença.

Luisinha — Chapter by Chapter arranca com imagens da protagonista a ser lindíssima e super telegénica, acompanhadas por uma narração da própria: “Sempre sonhei muito. Mas durante muitos anos, tive medo da dimensão dos meus próprios sonhos.(…) Passei muitos anos a imaginar a vida que queria.” E aqui surge a minha primeira objeção. Até porque Luisinha está sempre a falar do passado como se fosse longínquo, do longo caminho percorrido, do constante olhar pelo espelho retrovisor para não se esquecer da escada que subiu. Mas como é que te havias de esquecer, pequena? Se foi há mais ou menos 5/7 minutos, não mais que um lusco-fusco. A Luisinha tem 26 anos e, quanto a mim, parece-me demasiado nostálgica para quem tem menos anos de vida do que o Isaltino Morais à frente da Câmara de Oeiras.

[o trailer de “Luisinha”:]

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